Fábrica de Agentes
A ideia era uma linha de produção de software operada por agentes: você abre um card, e do outro lado sai documento, apresentação ou um micro-SaaS inteiro, comitado e publicado, sem ninguém digitar.
Chegou a funcionar. Trinta e sete agentes especializados, oito serviços, cerca de vinte mil linhas de orquestração, roteamento de modelo com queda para um modelo local quando o custo estourava, e um teto de gasto por dia que interrompia o trabalho em vez de deixar a conta subir.
E foi encerrado em agosto de 2026, por decisão.
O motivo não é que falhou — é que o chão se moveu. Quando o projeto começou, orquestrar agente era coisa que você tinha que escrever. Alguns meses depois, as próprias ferramentas de linha de comando passaram a trazer orquestração nativa: agentes paralelos, isolamento por worktree, mensagens entre sessões, ganchos de verificação. Manter uma camada própria em cima de duas que se atualizam sozinhas toda semana deixou de ser vantagem e virou a principal fonte de defeito.
Aposentar custou mais do que construir. Mas software que existe só porque já foi escrito é passivo, não patrimônio — e reconhecer isso a tempo é parte do trabalho.